Nos últimos tempos, falar em inovação tornou-se quase obrigatório para o mundo corporativo. Inovar passou a ser fundamental em praticamente todos os segmentos do mercado. Com isso, assistimos o emergir da cultura da inovação e atribuímos ao substantivo uma visão extremamente positivista. Inovar virou sinônimo de “mudança para o sucesso”. Mas seria assim tão simples e definitivo?
Um olhar mais atento logo percebe algumas controvérsias.

O conceito de inovação está baseado no desenvolvimento de novos bens, na implantação de diferentes métodos de produção e em novas formas de organização, fatos que refletem o comportamento atual da sociedade. A edição especial de cinquenta anos da revista Exame, publicada em agosto de 2017, apresentou uma série de reportagens sobre as recentes mudanças no comportamento da sociedade. Ao abordar questões econômicas e políticas ou acerca dos padrões de produção e sobre as diferentes formas de se fazer negócios no Brasil e no mundo, as reportagens evidenciam que estamos em uma importante fase de mudança e de profundas transformações.
Para os mais céticos, a redução de empregos frente à outras soluções tecnológicas, o consequente aumento da desigualdade social e a mudança o ritmo de crescimento das grandes economias são pontos preocupantes desse processo. Há ainda o ressurgimento de movimentos radicais e o nacionalismo exacerbado que vão de encontro à ideia de um mundo integrado, resultando no fechamento de fronteiras e na indiferença para as dificuldades de nações subdesenvolvidas. Para os que enxergam a partir dessa perspectiva, a inovação pode ser uma grande vilã.

No entanto, o outro lado desse cenário pode ser muito mais promissor. Em destaque estão a aplicação da inovação em pesquisas científicas para a cura de doenças crônicas, no desenvolvimento de novos materiais e no investimento em energias limpas e renováveis.Assistimos também grandes transformações no campo educacional com o incentivo à adoção de novas tecnologias da educação; a capacitação das pessoas para um novo cenário econômico; e, até mesmo, o surgimento de novas profissões como alternativa para o mercado. Cabe a nós encontrarmos o equilíbrio entre esses extremos e clarificarmos nossos objetivos. Assim como afirma Ricardo Voltolini em seu livro Sustentabilidade Como Fonte de Inovação, para obter bons resultados, é preciso saber porque inovar, em que inovar, como inovar, com quem inovar, que tempo dedicar à inovação e até onde devem ir.
Com foco nesses resultados, a ONU estabeleceu uma Agenda Global para o Desenvolvimento Sustentável que determina 17 Objetivos desdobrados em 169 metas interdependentes e interconectadas que orientam a sociedade na construção de um mundo economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente mais justo até 2030. Enquanto a inovação avança em criações de alta complexidade, a chamada Agenda 2030 busca soluções para questões que afetam a vida das pessoas e do planeta.

Assim, para encontrar o equilíbrio entre esses interesses, é fundamental que os líderes globalmente responsáveis atuem de forma integrada para incentivar e estabelecer iniciativas que possam aproximar a inovação e a sustentabilidade.Nesse contexto, cabe às instituições de ensino e escolas de negócios a responsabilidade de promover a educação executiva responsável no intuito de desenvolver habilidades técnicas e de estratégias de gestão associadas a valores como a ética e o desenvolvimento sustentável.É preciso formar profissionais dotados de uma visão mais global de suas ações, que assumam papeis de protagonistas e responsáveis pela transformação que o mundo tanto precisa para se tornar um lugar mais justo e sustentável. Somente dessa forma será possível concentrar toda a capacidade de pesquisa e desenvolvimento da humanidade em seu próprio benefício.

Artigo publicado no blog Giro Sustentável da gazeta do Povo em 11.09.17 :

O papel da Inovação na busca pelo desenvolvimento sustentável

Toda empresa precisa gerar lucro. Esta é a premissa básica de existir, afinal de contas alguém começou uma ideia do zero com o único objetivo de produzir frutos, engordar sua conta bancária, bem como prestar algum tipo de serviço à sociedade.

Assim, todo profissional que trabalha em uma organização está ali com o objetivo exclusivo de gerar valor ao negócio. Algumas empresas mantêm um foco direcionado a pessoas, outras são mais agressivas em busca de resultados financeiros, mas em qualquer ambiente a meta final será sempre trazer de volta o investimento que a empresa faz ao pagar o seu salário.

Com o passar dos anos algumas pessoas esquecem deste conceito e acomodam-se em suas cadeiras, pensando que o quanto produzem é suficiente para mantê-las ali, por anos a vir.

Pode ser que assim aconteça, mas em um dado momento quem deixou de se preparar pode tornar-se cartinha marcada para substituição.

Por isso tenha sempre em mente que você deve ser um investimento para a empresa que lhe emprega, gerar resultados e continuar buscando desenvolvimento para estar cada vez mais preparado para novos desafios.

Assim como um dia você poderá ficar pequeno para a empresa, a empresa também poderá ficar pequena para você.

 

Abraços e até a próxima!

Cristiane Ribas – Consultora Estratégica de RH
De Bernt Entschev Human Capital

Quem não é rico precisa, em determinados momentos na vida, recorrer a um empréstimo.
Me perguntam se tem empréstimo bom.

Resposta: sim, sempre relativamente às demais opções de determinada economia.

Aqui, há dois empréstimos que recomendo: o crédito consignado e o crédito hipotecário, pelos juros baixos. Um empréstimo com taxas de juros até 2% ao mês é atrativo numa economia em que as demais opções vão de 5% do crédito pessoal a 14% do cartão de crédito.

Agora, o povo não sabe, mas tem opção de crédito com juros abaixo de 1%. E sem alienar nenhum bem. Um privilégio de quem participa de um fundo de pensão.

O fundo, todos sabem, visa a acumular poupança previdenciária de longo prazo para garantir uma aposentadoria lá na frente.
O dinheiro é investido no mercado financeiro buscando uma rentabilidade real de 4,5%, por exemplo.

Uma das formas do fundo investir é oferecer empréstimo aos seus próprios participantes com inadimplência zero. Vejam, uma taxa de apenas 0,7% ao mês resulta numa rentabilidade real de incríveis 8,7% anuais para o plano de previdência. Por aí dá para ver quanto os bancos ganham de prêmio como intermediários.

O segurado ganha duas vezes: uma no empréstimo com taxa de juro baixíssima e outra na rentabilidade de seu próprio plano de previdência. Um benefício de curto prazo aliado à aposentadoria, que é de longo prazo.

Ficou interessado? Procure um fundo como o Fundo Paraná.

 

Por Renato Follador – Consultor em Previdência e Finanças
Renato Follador Consutoria em Previdência LTDA.

Concessão automática de patentes: a proposta do INPI contra o acúmulo de trabalho
Dr. Felipe Augusto Canto Bonfim, advogado do Setor Societário do Casillo Advogados
Encerrou-se em 31.08.2017 o prazo para participação na polêmica Consulta Pública nº 02/2017 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que visa discutir o procedimento simplificado de deferimento de pedidos de patente proposto pela autarquia.
Diante de um estoque atroz de pedidos de patente pendentes de análise, que resulta em uma fila de espera de 7 a 14 anos por uma decisão, o INPI propôs adotar uma solução radical: deferir, sem analisar, todos os pedidos de patente que até então não tenham recebido subsídios técnicos de terceiros interessados, estejam em dia com as anuidades até então devidas e cumpram as formalidades legais.
A medida somente valeria para os pedidos protocolados até a data de publicação da norma proposta, e não atingiria pedidos da área farmacêutica, pedidos divididos em 2 ou mais pedidos, e pedidos de adição a invenções descritas em outros pedidos.
À primeira vista, a proposta do INPI pode parecer interessante ao empresariado, que teria a chance de obter uma solução rápida e sem análise de conteúdo para pedidos de patente atualmente pendentes e, consequentemente, explorar determinado produto com exclusividade e com embasamento para o combate à concorrência desleal.
Contudo, a medida abriria a porta à eliminação injusta e ilegal da concorrência, decorrente de patentes que simplesmente descrevem a forma comum de um produto ou seu processo produtivo, por exemplo, e passariam a garantir exclusividade indevida aos respectivos titulares.
A proposta do INPI gera um oceano de insegurança jurídica e representa uma grave ameaça à livre concorrência e à própria economia, podendo representar prejuízos milionários decorrentes da paralisação de processos produtivos e até mesmo do fechamento de empresas.
Por ora, somente nos resta aguardar a decisão que o INPI tomará após analisar as considerações feitas pela sociedade na consulta pública recém encerrada.

Banco Central aprova Resolução que obriga Instituições Financeiras a instituir Política de Conformidade (Compliance)
Dr. Fabio de Andrade, advogado do Setor Societário do Casillo Advogados
O Conselho Monetário Nacional recentemente tornou pública a Resolução n.º 4.595, que regulamenta a política de conformidade aplicável às instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, disciplinando os aspectos mínimos a serem observados quanto ao escopo da função de gerenciamento de riscos.
Por esta Resolução, as instituições financeiras deverão implementar e manter política compatível com a natureza, o porte, a complexidade, a estrutura, o perfil de risco e o modelo de negócio da instituição, de forma a assegurar o efetivo exercício das atividades relacionadas à função de conformidade.
Embora tenha sido permitido às instituições financeiras a contratação de especialistas para a execução da política de compliance, toda a responsabilidade sobre o tema ficou a cargo dos Conselhos de Administração das instituições, os quais deverão aprovar as políticas a serem seguidas. Para as instituições que não possuem Conselho de Administração, a Resolução determina que as responsabilidades devem ser imputadas à Diretoria da instituição.
A norma estabelece ainda que as instituições financeiras deverão manter à disposição do Banco Central do Brasil toda a documentação relativa à política de conformidade aprovada pelos respectivos Conselhos de Administração ou Diretoria.
Além de determinar parâmetros mínimos que a política de conformidade deverá definir, de modo a evitar possíveis conflitos de interesse, especialmente entre as áreas de negócios da instituição e as que terão a atribuição de coordenar e executar as funções de gerenciamento de risco, a Resolução estabeleceu que a unidade responsável pela função de conformidade, quando constituída, deverá estar integralmente segregada da atividade de auditoria interna.
A política de conformidade de que trata a Resolução n.º 4.595 deverá ser implementada pelas instituições financeiras até 31 de dezembro de 2017.

Receita Federal divulga orientações para consolidação de débitos de parcelamento especial
A Receita Federal do Brasil publicou na sexta-feira (08/09) a Instrução Normativa (IN) RFB n.º 1.735/17, que apresenta orientações para consolidação dos débitos objeto de parcelamento ou de pagamento à vista com utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) previstos no art. 17 da Lei 12.865/13, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
No caso de parcelamento, o sujeito passivo deve indicar os débitos a ser parcelados, o número de prestações e o montante de créditos decorrente de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL a ser utilizados. No caso de pagamento à vista, com utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, o contribuinte deve indicar os débitos pagos à vista e o montante de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL a ser utilizados.
A prestação das informações ocorrerá de 11 a 29 de setembro de 2017, no sítio da Receita Federal na Internet, pelo Portal e-CAC, com a utilização de código de acesso ou certificado digital. Caso as informações não sejam prestadas nesse prazo, haverá o cancelamento do parcelamento ou da opção pelo pagamento à vista e a perda de todos os benefícios previstos na legislação.
O contribuinte que tenha débitos com exigibilidade suspensa a parcelar, ou pagos à vista com utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, deverá selecioná-los no momento da prestação das informações. A inclusão desses débitos implicará em desistência da impugnação ou recurso administrativo. Se houver débitos objeto de ações judiciais, deverá haver a desistência dessas ações no prazo previsto na IN.
Para que a consolidação tenha efeito, o contribuinte deverá liquidar todas as prestações vencidas até o mês anterior ao da consolidação e o eventual saldo devedor das modalidades de pagamento à vista, até o último dia do respectivo período. A consolidação do parcelamento poderá ser objeto de revisão a pedido do sujeito passivo ou de ofício.
A consolidação dos débitos por modalidades de parcelamento e para pagamento à vista no âmbito da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) será disciplinada em ato específico desse órgão em data futura.

Empresa sem empregados não é obrigada a pagar contribuição sindical
Somente empresas que possuem empregados são obrigadas ao pagamento da contribuição sindical patronal. Esse foi o entendimento aplicado pela juíza Cláudia Bueno Rocha Chiuzuli, 1ª Vara do Trabalho de São Carlos (SP), ao afastar a cobrança de uma empresa que não possui empregados.
No caso, a empresa que trabalha com compra e venda de imóveis próprios foi surpreendida pela cobrança da contribuição sindical feita pelo sindicato do ramo imobiliário. Diante disso, ingressou com ação declaratória para que fosse reconhecida a inexigibilidade da contribuição sob o argumento de que, por não possuir funcionários não pode ser considerada empregadora. Logo, a contribuição seria inexigível.
Seguindo a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, a juíza Cláudia Chiuzuli concedeu o pedido para afastar a cobrança. “Pela interpretação sistemática dos artigos 2º, 579, 580, I, II e III, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), há a clara conclusão de que somente empresas que possuem empregados são obrigadas ao pagamento da contribuição sindical patronal, sobretudo porque esse valor se destina à manutenção do sindicato representativo da categoria e à sua atuação na proteção dos direitos dos empregados e empregadores”, concluiu. (Processo: 0010508-46.2017.5.15.0008)

Taxa de administração dos cartões de crédito e débito é sujeita à incidência do PIS/Cofins
A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou provimento à apelação de uma empresa contra a sentença da 2ª Vara da Divinópolis, que denegou a segurança buscada no sentido de ter reconhecido o direito de não incluir, nas bases de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os valores relativos à taxa de administração de cartões de crédito e débito exigidos pelas administradoras dos cartões.
A empresa sustentou que a taxa de administração cobrada pelas administradoras de cartões de crédito e débito não se enquadram nos conceitos de faturamento e receita, portanto, não pode ser apta a ensejar a incidência do PIS e da Cofins e que a aludida taxa constitui, por força do contrato celebrado com a administradora de cartões, receita desta, não ingressando nem definitiva nem transitoriamente em suas contas, havendo, em verdade, incidência de tributo sobre receita de outrem.
Para o relator do caso, desembargador federal Marcos Augusto de Sousa, a pretensão da apelante não encontra guarida na jurisprudência do Superior Tribunal Federal (STF), que firmou o entendimento de que a receita bruta e o faturamento, para fins de incidência do PIS e da Cofins são termos sinônimos e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
O magistrado salientou que todas as receitas auferidas pelas contribuintes decorrentes do exercício de suas atividades empresariais ficam sujeitas à incidência do PIS/Cofins, não cabendo excluir das bases de cálculos dessas contribuições os encargos financeiros advindos de operações de vendas mediante utilização de cartões de crédito ou débito. (Processo: 0002449-17.2016.4.01.3811/MG)

Para PGFN, sem prova de que ativo é lícito há exclusão da repatriação
No início deste mês, a Coordenação-Geral de Assuntos Tributários da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) proferiu o Parecer PGFN/CAT n.º 1.290/17, cujo objetivo foi tornar pública a interpretação da PGFN quanto a dispositivos da Lei 13.254/16, que instituiu o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (Rerct).
O parecer foi emitido por conta de consulta enviada pela Receita Federal do Brasil à Coordenação-Geral de Assuntos Tributários, com diversos questionamentos para melhor compreensão de temas relacionados ao regime. Dentre eles, destaca-se o que se relaciona com o ônus da prova em eventual investigação sobre os bens e direitos declarados por ocasião da adesão ao Rerct.
Como é sabido, era condição inafastável para a adesão ao programa a origem lícita dos bens mantidos no exterior, embora sem a declaração devida às autoridades competentes. A despeito disso, a legislação apenas exigiu que o contribuinte declarasse a origem lícita dos recursos, sem que houvesse qualquer previsão relativa ao dever de produzir prova concreta relativa à tal licitude. Essa afirmação é decorrência direta da redação do artigo 4º, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 13.254/16.
De outro lado, o mesmo raciocínio não foi utilizado quanto aos valores atribuídos aos bens declarados. O parágrafo 6º do artigo 4º da lei exigiu que o contribuinte mantivesse em “boa guarda e ordem e em sua posse”, pelo prazo de 5 anos, cópia dos documentos que fizessem prova da veracidade dos valores imputados aos ativos constantes da Declaração de Regularização Cambial e Tributária (Dercat). Segundo o dispositivo, tais documentos deveriam ser apresentados à Receita quando e se exigidos.
Portanto, diante da ausência de qualquer determinação legal quanto à comprovação documental da origem dos ativos, concluiu-se que haveria uma presunção de veracidade na declaração prestada pela pessoa física ou jurídica aderente do Rerct, quanto à licitude dos recursos. Tal presunção somente seria contestada diante de provas ou indícios concretos, produzidos pela administração, que desconstituíssem a declaração prestada. Logo, o ônus da prova repousaria sobre a administração.
Não obstante, o recém publicado parecer da PGFN vai em sentido oposto a essa interpretação. Ao responder à pergunta formulada pela Receita quanto à possibilidade de excluir do programa contribuinte que não atenda à intimação para comprovar a origem lícita dos ativos, a PGFN posiciona-se pela inversão do ônus probatório: o não atendimento à intimação resultaria em uma “presunção de falsidade” quanto às informações relativas às condições legais para a adesão ao programa, justificando a exclusão do contribuinte do Rerct.

Cláudia chegou há 30 dias e já parece estar desmotivada. Lembro bem em seu primeiro dia, parecia querer entregar todo o trabalho em 1 semana. Um gás louco. O que será que aconteceu com ela?…

…Estou nesta empresa há mais de 15 anos. Entrei como estagiário e hoje sou coordenador. Sei que meu salário poderia ser melhor, mas tem uma vozinha que me repete sempre “você está seguro aqui, melhor ganhar pouco do que nada!” Tenho minha rotina, faço meu trabalho e não tenho grandes expectativas de cargos. Sou assim, um sujeito estável. Enquanto eu fizer minhas tarefas direitinho com certeza tenho meu emprego.

Por isso me pergunto…por que ela já não está feliz? Veio com uma boa experiência de mercado, tem filhos, é madura. Deveria pensar mais em sua estabilidade, assim como eu faço.

Enquanto isso outra sala:
– Cláudia, você fez muito mais do que pedi. Aprenda que aqui devemos seguir ordens. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Você chegou muito bem recomendada, estou apostando em sua capacidade de se adaptar! Não me decepcione.

Durante a conversa, Cláudia pensava em cada evento negativo que tinha acontecido durante sua atuação ali. Para cada dia pôde contar ao menos uma ocorrência em que precisou abrir mão de suas convicções. Já repensara algumas vezes seu status atual. Mas como resiliência era uma característica pessoal, ela permanecia em um conflito interno: largo a toalha ou vou
aguentando mais um pouco?

Optou por engolir em seco mais algumas vezes. Escutou muitos nãos, teve vários projetos cancelados por mudança de planos da gestão, viu colegas sofrendo pela falta de diretrizes,assistiu a incoerência de líderes que deveriam incentivar e desenvolver. Participou de reuniões onde tudo era decidido e nada era executado. Passo a passo sua desmotivação crescia e o que lhe segurava era o dinheiro no fim do mês. Tinha bocas para alimentar e o mercado não estava para peixe. Por outro lado conhecia seu potencial, sua sede por resultados, sua experiência anterior, suas competências técnicas e comportamentais. Dia a dia o peso ficava maior, suas forças em vencer naquele ambiente se esvaíam.


Até onde vai a resiliência? Quanto estamos preparados ou dispostos a viver em ambientes de grande complexidade? Seja por falta de processos, seja pela gestão desorientada, pelo ambiente hostil ou por exigências absurdas, qual é o momento de buscar um novo trabalho?

Opção 1: Você enxerga objetivos pessoais em médio prazo – tem adquirido conhecimento importante para seu plano de carreira. Fique e analise constantemente suas expectativas profissionais.

Opção 2: Algumas pessoas incomodam, mas o contexto geral é bom, valores, missão e visão são coerentes e alinhados aos seus. As pessoas mudam com o tempo. Fique, procure ser flexível e observe o cenário com frequência.

Opção 3: O clima é pesado todos os dias. Você ganha bem, mas não está feliz. Pese sua balança Dinheiro x Realização. Talvez seja a hora de buscar novas oportunidades.

Opção 4: Nada é vantajoso, falta coerência e você não enxerga futuro. Comece uma busca intensa por novos horizontes.

Cristiane Ribas – Consultora Estratégica de RH
De Bernt Entschev Human Capital

O 17º ODS define suas metas visando “fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável”. Estas metas se subdividem em áreas relacionadas a Finanças, Tecnologia, Capacitação, Comércio e Questões Sistêmicas.

De todos os outros ODS’s, que se interligam pela nobreza de seus objetivos, pelas peculiaridades de suas metas e por se tratarem de assuntos tão relevantes para a melhoria da qualidade de vida da população em esfera global, o ODS 17 vem selar a importância indissociável ao desenvolvimento planetário de uma mudança coletiva de consciência no quesito União entre os povos e nações. Países mais ricos e intelectualmente preparados precisam prever em seus orçamentos e políticas internas meios de engajamento de ações visando atender nações menos favorecidas no trato com questões principalmente de cunho humanitárias, pois o desenvolvimento socioambiental estará sempre atrelado a atenção primária ao ser humano em condições desiguais de existência. O compromisso de transferência de recursos de países desenvolvidos para Assistência Oficial ao Desenvolvimento, onde inclusive países em desenvolvimento podem prever menores transferências para países menos desenvolvidos é um exemplo de articulação mundial em prol do fortalecimento de meios de implementação de políticas públicas direcionadas ao desenvolvimento sustentável.

A ONU tem liderado diversas ações, a nível global, de incentivo à articulação entre as nações. Fazendo uma análise internacional, pode-se destacar a fala do chefe da ONU, Antonio Guterres, que propõe novas medidas de prevenção a conflitos na África. Segundo ele, “o mundo passa por um momento importante nos esforços do continente em direção à paz, ao crescimento econômico inclusivo e ao desenvolvimento sustentável”. Já existe um campo de refugiados na Jordânia que funciona a partir de energia solar. Na Costa Rica, países da América Latina discutem abastecimento alimentar, onde representantes de 12 países compartilharam informações e experiências sobre a gestão e as tecnologias da cadeia de alimentos, num esforço conjunto para aprimorar os sistemas de abastecimento alimentar do continente. Ação semelhante ocorreu no Zimbábue, onde a ONU apoiou estratégia nacional de alimentação escolar. A FAO e o Instituto Ítalo-Latino-Americano firmaram parceria para combater a fome na América Latina, parceria que prevê iniciativas de intercâmbio de conhecimentos, bem como a implementação conjunta de projetos para o desenvolvimento rural. Tal cooperação conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Itália, que anunciou no mesmo mês uma doação de 5 milhões de euros à agencias da ONU.

América Latina e Caribe adotaram primeira lei modelo de pesca artesanal do mundo, reconhecendo esta atividade como um modo de vida e uma atividade produtiva que contribui para o desenvolvimento sustentável da região e a segurança alimentar e nutricional de milhares de famílias. Esta lei modelo de pesca artesanal, por exemplo, com apoio técnico da FAO, estabelece um marco jurídico de referência para que os países possam adotar, fortalecer e complementar suas políticas e legislações nacionais vinculadas a este setor.

Em relação aos refugiados, países comprometeram-se a doar 350 milhões de dólares para apoiar refugiados sudaneses em Uganda, vivendo atualmente em situações precárias de saneamento básico e sem acesso a qualquer tipo de escolaridade, cultura ou lazer.

No Brasil, agência da ONU e BNDES promoveram seminário sobre parcerias para o desenvolvimento sustentável, com o objetivo de discutir parcerias entre setores e políticas para o desenvolvimento sustentável. Representantes da sociedade civil, setor privado, organismos internacionais, academia e governos participaram dos debates, que ocorreram em maio deste ano. Este tipo de evento entre tantas outras ações no Brasil, como a apresentação de um relatório feito por ONGs sobre implementação dos objetivos globais no Brasil, denominado “Relatório Luz da Sociedade Civil sobre o Desenvolvimento Sustentável”, demonstram que o país também está na rota de articulação prevista. A ONU no Brasil é bastante representativa através dos trabalhos do PNUMA, tanto na área de capacitação para missões de paz quanto no fortalecimento das agências nacionais de cooperação, como o que ocorreu com a implantação de projeto em seis estados que melhorou a qualidade da energia consumida por 4 milhões de brasileiros. Isto se deu através de parceria entre o Banco Mundial e a Eletrobrás.

O que se pode concluir é que a humanidade evolui, a passos lentos mas de maneira irreversível. Os conflitos internacionais são assistidos sob os olhares de toda a humanidade, o que gera uma onda crescente de intervenção e repúdio a políticas extremistas. A fome, a desigualdade de gênero, a falta de oportunidade e as injustiças raciais são questões lentamente desmistificadas através dos esforços de entidades sérias e comprometidas com a melhoria da qualidade de vida das pessoas em todo planeta.

Através do cumprimento das metas deste ODS 17 será possível se chegar aos objetivos da Agenda 2030, que é um “plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade, reconhecendo que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.”

Ana Carla Arantes V. de Andrade, Bióloga especializada em Gestão Ambiental. Educadora Ambiental na Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente de Pouso Alegre.

Caros associados e prezados empresários

Estamos caminhando para o final de mais um ano. Até agora há pouco para comemorar do ponto de vista de conquistas do setor produtivo. Mesmo assim existe a expectativa de alguns pontos positivos a se consolidar, no campo das reformas, caso o segmento político tenha a compreensão e as atitudes para atender as grandes necessidades do país.

Neste momento são importantes os posicionamentos das instituições representativas da sociedade civil organizada. Assim, a nossa Associação mantém, permanentemente, sua atuação voltada para a defesa dos legítimos interesses do setor produtivo, seja por esta presidência ou pela atuação de nossos diretores. Mantém a flexibilidade necessária para conduzir estas ações de forma a produzir resultados satisfatórios e adequados as nossas aspirações.

Os grandes desafios com os quais nos deparamos no dia a dia encontram soluções internas, em nossas empresas, pelo nosso desempenho de gestão. Todos os demais desafios dependem de agentes externos, entre os quais, o governo federal, estadual ou municipal. O nosso compromisso, como representação do segmento produtivo é, entre outros, a manutenção do contato, diálogo e dos embates necessários nos assuntos de interesse coletivo de nosso setor.

Não tem sido fácil a condução das nossas empresas para manter o processo produtivo, os empregos, pagamento dos encargos e a geração e manutenção de renda de nossa atividade. Ainda assim, a grande maioria dos empresários consegue buscar forças e energias e direcioná-las a seu empreendimento. Não houvesse outros motivos, este já seria bem acalentador para a AECIC continuar a luta por nossos direitos respeitando nossos deveres.

Bom trabalho a todos!

Nelson Roberto Hubner
Presidente da AECIC

 

Comércio Justo e Solidário

Os preceitos do comércio justo e solidário estão presentes, em maior ou menor grau, em diversas partes do mundo. Várias correntes teóricas e ideológicas têm sido utilizadas para dar suporte a práticas comerciais mais justas e equilibradas, em busca de um objetivo maior: reduzir a pobreza pela melhoria da qualidade de vida de populações de países não desenvolvidos.

Apesar da ampla aceitação da economia de mercado e da lógica capitalista, novas formas de produção e geração de valor têm sido desenvolvidas para minimizar as consequências desse sistema. Nesse contexto, termos como cooperativas, economia solidária, economia compartilhada, autogestão, comércio solidário, comércio ético, entre outros, recebem destaque.

Essas ideias estão alinhadas a dois movimentos distintos que se somam. Por um lado, percebemos esforços de empreendedores, produtores, governos e organizações não governamentais, que buscam melhorar a qualidade de vida de populações economicamente menos favorecidas. Do outro, há maior conscientização dos consumidores e o interesse por relações de consumo mais éticas, sustentáveis e com mais conteúdo simbólico.

O que se destaca nessas novas práticas é a tentativa de realizar intercâmbios comerciais em uma relação ganha-ganha entre produtores e consumidores. Esses movimentos vão muito além da relação direta de compra e venda de produtos, mas também no empoderamento dos produtores, por meio de um processo de educação e capacitação técnica, que permite ao mesmo tempo a melhoria das condições econômicas e maior controle do empreendimento e das condições de vida.

Consumo Ético

Diversos temas e propostas têm surgido nas últimas décadas para despertar, orientar e desenvolver novas formas de consumo que considerem, além das questões econômicas, outros fatores relacionados à sustentabilidade social, ambiental e cultural.

Termos como consumo ético, consumo responsável e consumo consciente têm sido usados para expressar novas formas de consumo que incluem na decisão de compra dos consumidores o compromisso ético e a valorização da consciência e responsabilidade quanto aos “impactos sociais e ambientais que suas escolhas e comportamentos podem causar em ecossistemas e outros grupos sociais, na maior parte das vezes geográfica e temporalmente distantes” (CONSUMO…, 2005, p. 19).

Barnett et al. (2005, p. 33) advogam que, ao invés de assumir que a tomada de decisão ética funciona por meio do cálculo racional das obrigações, as relações éticas de consumo são “formas pelas quais as disposições morais práticas são rearticuladas por políticas, campanhas e práticas que alistam as pessoas comuns em projetos mais amplos de desenvolvimento social”. Assim, por essa definição, o consumo ético pode assumir um caráter transformador, bem mais amplo do que uma relação comercial ou transacional.

Percebe-se, assim, que o consumidor está assumindo um papel político de maior relevância. Isso é confirmado por Redfern e Snedker (2002), que afirmam que, a partir do início do século XXI, os consumidores têm apresentado um comportamento mais ativo e usado seu poder de escolha para direcionar as estratégias das empresas. Esses autores propõem uma tipologia que mostra diferentes estratégias utilizadas:

a) boicotes à produtos e marcas;
b) compras positivas, que envolvem escolhas intencionais de produtos com significados específicos, como produtos orgânicos ou oriundos de comércio ético;
c) compra de produtos de origem rastreada;
d) compras baseadas em relacionamento de longo prazo;
e) consumo sustentável, que envolve uma perspectiva mais crítica do que consumir ou não consumir e sob quais circunstâncias.
Barnett, Cafaro e Newholm (2005) destacam que os consumidores éticos não ignoram o preço e a qualidade dos produtos. Além
disso, ou mesmo até antes dessa análise, eles consideram outras questões de caráter simbólico, que inclui valores, em seu processo de tomada de decisão.

Harrison, Newholm e Shaw (2005) apresentam alguns fatores que influenciam o surgimento de comportamento de compra mais ético:
• A globalização dos mercados e o enfraquecimento dos governos nacionais.
• O crescimento de marcas e corporações multinacionais.
• O crescimento de grupos atuantes de pressão.
• Os efeitos sociais e ambientais do avanço tecnológico.
• Mudança no poder de mercado para o consumidor.
• A efetividade de campanhas de marketing.
• O crescimento de um movimento mais amplo de responsabilidade social.

Como bem analisa Schwartz (2010), o consumo ético também precisa ser analisado se de fato representa uma preocupação moral e ética genuína ou simplesmente um movimento superficial e aparente.

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No dia 25 de setembro de 2015 a ONU, Organização das Nações Unidas, lançou, durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, também chamados de ODS ou Agenda 2030, pois constituem um conjunto de objetivos e metas que devem ser implementados e atingidos pelos países até o ano de 2030. Tal acordo foi assinado por todos os 193 países presentes, os quais se comprometeram em implementar políticas e ações para o cumprimento dos seus 17 objetivos, os quais são compostos, ao todo, por 169 metas. O Brasil é um dos signatários desde então.

Dentre seus objetivos podemos destacar o de número 16, intitulado “Paz, justiça e instituições eficazes”, e que busca “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis” e, entre as suas doze metas, podemos destacar as de números 16.5 e 16.6, que buscam, respectivamente, “reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas” e “desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis”.

Como sabemos e temos acompanhado diariamente, o Brasil passa por um momento de extrema instabilidade política, sendo esta instabilidade devida, em grande parte, aos escândalos de corrupção que têm aflorado constantemente. O Banco Mundial estima que as empresas e pessoas gastam, aproximadamente, US$ 1,5 trilhão de dólares com subornos todos os anos, o que equivale a 2% do PIB mundial, ou a pouco menos que o PIB do Brasil, que foi de US$ 1,796 trilhões em 2016. Já a Transparência Internacional, entidade que se dedica há mais de 20 anos no estudo e divulgação de dados sobre a corrupção, estima que mais de 80% da população mundial viva em países com sérios problemas de corrupção.

Se considerarmos a situação do Brasil, ele ocupa  a 79º colocação do ranking elaborado anualmente pela Transparência Internacional que busca medir a percepção o de corrupção nos países, o qual analisa 176 países. A medição da “percepção” da corrupção é utilizada pois a corrupção não é um fenômeno que pode ser medido diretamente, mas que acontece nas entrelinhas, que se manifesta de forme encoberta e, na maioria das vezes, de forma ilegal.

Desta forma, é possível atingirmos o desenvolvimento sustentável sem um efetivo combate à corrupção?

Segundo José Ugaz, presidente da Transparência Internacional, “em muitos países, as pessoas são privadas de suas necessidades mais básicas e vão dormir com fome todas as noites por causa da corrupção, enquanto os poderosos e corruptos aproveitam estilos de vida luxuosos de forma impune”. Não estamos falando, assim, apenas do enriquecimento ilícito de pessoas que expropriam a população em prol de benefício privado, mas sim da privação de um futuro a grande parte da população.

Assim, percebe-se que o ODS 16 é de fundamental importância para o atingimento de todos os outros ODSs em sua plenitude. Não conseguimos falar de erradicação da pobreza, da fome, de educação de qualidade ou de acesso à água e saneamento se não conseguirmos combater todos os desvios de recursos que vemos acontecer todos os dias. É impossível falar de trabalho descente, crescimento econômico, redução de desigualdades e combate às mudanças climáticas tendo instituições governamentais ineficientes e que muitas vezes agem em prol de minorias em detrimento do bem comum.

O Brasil possui uma grande oportunidade, sendo essa oportunidade devida à visibilidade da comunidade internacional em torno dos ODS e, principalmente, aos esforços dispendidos pelo ministério público e pela polícia federal nos últimos anos. O que nos resta é saber se teremos “interesse” em abraçar essas oportunidades.

André Francisco Alves, é mestrando em Governança e Sustentabilidade pelo ISAE e MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Além disso, é membro do Grupo de Trabalho de Combate à Corrupção da Rede Brasileira do Pacto Global e professor das turmas de Processos Gerenciais da Faculdade ISAE.

A estrutura de governança de uma cooperativa é desencadeada a partir do processo assemblear, por meio do qual associados exercitam o controle societário e, entre outras responsabilidades, elegem conselheiros de administração e conselheiros fiscais. Dependendo do modelo de governança, o conselho de administração escolhe, entre os seus componentes, os conselheiros executivos (modelo monístico) ou contrata diretores executivos que podem ou não ser associados (modelo dual).

Parece simples esse encadeamento de estruturas de administração, gestão e de fiscalização, mas os estudos e a prática de governança têm mostrado que não é bem assim. Estamos falando de estruturas de comando e de poder que precisam, por consequência, ter clara e efetivamente definidas as responsabilidades.

O Conselho de Administração é responsável por fixar a orientação geral dos negócios da cooperativa de crédito, sendo necessários para isso: a) entendimento do ambiente em que está a instituição cooperativa; e b) especificação de cenários possíveis de acontecerem em determinado prazo, da forma mais realista possível, para gerar as condições propícias à definição do que vai querer realizar a organização. Convém ressaltar que a tentativa de correr 42 km de uma maratona pode matar o corredor, caso ele não tenha as condições necessárias. Boa intenção e força de vontade não bastam.

Fixar a orientação geral dos negócios da cooperativa de crédito é, portanto, obrigação atrelada à definição estratégica da instituição e demanda adequado entendimento das condições internas e externas. Conhecer as reais condições internas é vital para a definição do que fazer estrategicamente. Percebe-se, portanto, que a análise de pontos fortes e fragilidades é um processo de reflexão que merece muita seriedade e que, se for mal realizado, pode levar a organização a buscar desafios fora de sua capacidade, assim como, por outro lado, pode levar a empreender desafio abaixo da musculatura organizacional. As duas situações não são bem-vindas.

Entendida a real situação interna, é momento de definir o que se quer no mercado, mas, para isso, identificam-se as oportunidades que podem, dependendo da musculatura, ser exploradas e, para as ameaças, para as quais devem ser geradas, sempre que possível, salvaguardas. É importante estabelecer plano de ação para o que for necessário fazer nas duas frentes, sempre registrando claramente o que será feito, quem fará, até quando fará e com que recursos.

Conhecida, de forma adequada, a real e atual situação interna e externa, devem ser realizadas análises de tendência, afinal ninguém pode garantir que a situação atual seja mantida e alterações de ambiente, como em políticas fiscal e monetária, por exemplo, podem simplesmente inviabilizar o que se propôs a ser feito estrategicamente.

Tem sido muito recorrente, nas organizações, a definição de planos estratégicos para ciclos de três anos, mas, como a velocidade de mudanças no mundo e no Brasil tem sido potencializada, urge que os cenários sejam revistos pelo Conselho de Administração em prazos menores. Não se trata de revisão de todo o plano estratégico, mas, pelo menos semestralmente, como forma de buscar garantir com razoável segurança a aderência das ações para a consecução da estratégia, é fortemente recomendável que o Conselho de Administração, munido de boas informações, realize a revisão dos cenários então definidos e promova os ajustes, se necessário, à manutenção das diretrizes estratégicas.

Esse tipo de revisão pressupõe acompanhamento sistemático de indicadores, de políticas fiscal, monetária e até cambial, além da realidade de setores econômicos, o que abre espaço para instrumentos técnicos e confiáveis de divulgação de indicadores e de análises técnicas especializadas de mercado geral e por segmentos. Logicamente esse material precisa ser revestido de qualidade, mas também de formato e linguajar acessível aos conselheiros de administração das nossas cooperativas, para que, com o importante apoio das diretorias executivas, de forma harmônica, possam revisar as definições de cenários e, se necessário, procederem aos ajustes de rumos.

Voltando à maratona, caso não se tenha musculatura para correr 42 quilômetros, é fortemente recomendável não se candidatar a tal prova, mas pode-se adotar um plano de ação para dotar o organismo das condições necessárias, num determinado tempo, e então empreender o desafio.