Tratamento de Esgoto: Estudo Apresenta Alternativa Capaz de Aumentar a Eficiência De Lagoas

9 de outubro de 2017
Dr. Eng. Charles Carneiro, Gerente da Unidade de Gestão de Resíduos Sólidos - UGRS / DMA
Companhia de Saneamento do Paraná - SANEPAR

A busca pela melhoria dos processos na Sanepar levou pesquisadores a avaliarem a possibilidade do uso do biodome para o tratamento de esgoto, uma tecnologia desenvolvida originalmente nos Estados Unidos. Os biodomes são redomas de plástico que podem ser instaladas no interior de lagoas de estabilização com o intuito de aprimorar a qualidade do tratamento do esgoto e minimizar a emissão de maus odores. Essas lagoas são normalmente utilizadas para tratar o esgoto após sua passagem pelas etapas de remoção de sólidos grosseiros e degradação biológica em reatores anaeróbios.

Os biodomes ficam totalmente submerso nas lagoas de estabilização das estações de tratamento de esgoto (ETE) e as bactérias que tratam o esgoto crescem nas superfícies interna e externa das redomas. As redomas possuem uma conexão para injeção de ar em seu interior e o tratamento de esgoto ocorre por via aeróbia. Por isso, esse tipo de tratamento também é conhecido como sistema aerado com crescimento de biofilme aderido e totalmente submerso. Cada unidade de biodome adiciona 260 m² de área-suporte para fixação de biomassa, fazendo com que a lagoa passe a trabalhar com eficiências de remoção e estabilidade maiores que em sistemas usuais.

A pesquisa desenvolvida pela APD/DMA, em parceria com a USEG/DO, USEM-CT/DO e a empresa Parkson, comparou os resultados da eficiência do tratamento de esgoto de uma lagoa piloto contendo três redomas de biodome aeradas com aquela obtida apenas com uma lagoa de estabilização. Os estudos foram realizados na ETE CIC Xisto, em Curitiba, ao longo de 9 meses.

Durante as investigações observaram-se as condições operacionais dos sistemas, bem como suas eficiências de remoção de carga orgânica e de nitrogênio. Para tanto, realizaram-se medições de vazão, oxigênio dissolvido, pH, DQO, DBO, sólidos suspensos totais, alcalinidade, turbidez, nitrogênio amoniacal, nitrato e nitrogênio total do esgoto na entrada e na saída de cada sistema. O tempo de detenção hidráulico no piloto com as redomas de biodome foi mantido entre 2 e 3 dias, período similar aquele verificado na lagoa de estabilização.

Os resultados obtidos mostraram que a inserção dos biodomes proporcionou melhoria significativa no tratamento do esgoto. Por exemplo, as eficiências médias de remoção de DQO e de DBO foram da ordem de 70%, sendo pelo menos 2,3 vezes maiores aquelas verificadas apenas com a lagoa de estabilização. Além disso, verificou-se que o sistema é capaz de nitrificar o esgoto sob condições específicas de consumo de oxigênio. Como os biodomes promovem a aeração do esgoto, há um efeito significativo de oxidação de sulfetos, reduzindo assim a emissão de odores na lagoa. Adicionalmente, verificou-se que o lodo desprendido do processo é de fácil sedimentação, o que geralmente é um problema nas soluções convencionais de aeração de lagoas.

Para complementar os estudos, profissionais da Sanepar visitaram, no município de Coronel Vivida, a primeira lagoa de estabilização do Brasil dotada de redomas de biodome em escala real. Durante a visita, ratificaram-se os resultados obtidos com a pesquisa e constatou-se que o processo de tratamento estudado possui vantagens como simplicidade operacional e robustez em relação ao sistema de aeração convencional de lagoas de estabilização.

De acordo com o engenheiro Charles Carneiro, gerente da USEG/DO, “os resultados obtidos com a pesquisa foram satisfatórios em termos de remoção de carga orgânica e promissores quanto à possível redução de emissão de gás sulfídrico. Por isso, já estamos buscando a instalação das redomas de biodome nas lagoas da ETE CIC Xisto. Com a aplicação dessa tecnologia será possível tratar até 1.100 L/s de esgoto na lagoa existente, sem a necessidade de instalação de novos reatores e utilizando a mesma quantidade de investimento que havia sido prevista para as soluções inicialmente projetadas, que por sua vez trariam a capacidade da ETE para somente 630 L/s”.

O engenheiro Gustavo Possetti, gerente da APD/DMA, relata que o projeto foi conduzido com o intuito de propor uma alternativa tecnológica sustentável e inovadora para a Sanepar e que outras iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas para a melhoria do processo esgoto da companhia estão em andamento e serão implementadas nos próximos meses com o apoio da DI e da DO.

Os estudos sobre o biodome foram conduzidos pelos engenheiros Jacqueline Shirado e César Augusto Marin, pelos técnicos Karina Kriguel e Alexandre Moreno Lisboa e pela estagiária Vitória Alessandrini Braiti.

Revista Diálogo.Publicado em 31/05/2017

 

 

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