Quão distante está a sustentabilidade?

7 de agosto de 2017
Kelly A Broliani Dalben, pós- graduada em Projetos Sustentáveis, Mudanças Climáticas e Mercado do Carbono pela UFPR, atualmente atua como consultora para projetos internacionais relacionados ao Desenvolvimento Sustentável em parceria com a Agência Federal do Meio Ambiente da Suécia, IBAMA e Ministério do Meio Ambiente.

Há dois anos escrevi para a PUC PR um artigo de opinião com o título: Qual é a sua? Nele eu falava sobre a dicotomia que ronda a Sustentabilidade no seu movimento entre a teoria e a prática. Na ocasião dividi as opiniões em dois grandes grupos: pessimistas, que não acreditam em uma solução, e otimistas que acreditam no milagre da mudança, e questionava qual afinal era o significado da sustentabilidade para o indivíduo.

E muito aconteceu desde lá: refugiados, Trump, atentados, Lava-jato, fatos que não disparam imediatamente o alerta da Sustentabilidade, mas que estão intimamente conectadas a ela. Quando se fala em Desenvolvimento Sustentável, Pacto Global, Gestão Humanista, Economia Criativa, Economia Circular, entre outros assuntos tão presentes no menu da mídia, do bar e até
dos cursos de Pós-Graduação, percebe-se que muitas vezes esses conceitos amplamente debatidos desfilam pelo imaginário popular sem fazer sentido algum.

O que tudo isso tem a ver com as minhas contas para pagar, com o acidente que vi na TV, com a chuva que inundou o terreno do vizinho, e com o preço exorbitante de tudo? Desavisado quem pensa que a Sustentabilidade mora longe. Muitas vezes a Sustentabilidade parece apenas um bom discurso, longe do dia-a-dia agitado, do temporal, da falta de emprego e da corrupção. Ela parece destinada a um departamento de empresa grande, às discussões em sala de aula ou à sala de reuniões, e parece que ninguém tem tempo e nem coragem para ela de verdade.

À primeira vista, parece que ela é um desafio muito além do alcance. Parece que a Sustentabilidade não é tarefa para qualquer um, que é exclusividade da política pública, ou que fica ótima em um case bem escrito, enfim um artigo de prateleira. E solução, só se for enlatada e fácil de usar, porque não há tempo e nem paciência para ser sustentável. Cobrar consciência em torno disso então é quase uma injustiça, afinal todos já estão bem ocupados. Só nos esquecemos de questionar, o para que de nossa ocupação toda, e assim negligenciamos os laços com o que nos motiva.

Em mundo globalizado a lá Milton Santos, é fácil de entrar no turbilhão, e quando vemos que o Estado perdeu a força, o mundo está volátil e que quem está dando as cartas são grandes players, nada de tão novo, ainda nos assustamos. E quem vai olhar por nós? Ninguém, além de nós mesmos. Por isso o poder local e o esforço individual para o enfrentamento dos desafios
futuros, são tão importantes no contexto de Santos.

A superação vem no percurso do caminho passo a passo, se caminhamos em grupo o compartilhamento torna o difícil mais palatável, e quando olhamos para trás superamos o que era intransponível. Isso é sustentabilidade. Ela não é tão nova assim, esteve presente nas grandes catástrofes, no pós-guerra, é uma ferramenta de adaptação. Ela não é um selo ou um certificado, é uma forma de entender, de pensar e de agir, de um indivíduo, de uma empresa ou de uma geração.

Mas ajuda estar preparado? Sempre é melhor conhecer as regras do jogo, e é preciso saber que a Sustentabilidade também tem um papel institucional, que existem políticas que pautam ações em torno dela, que existe governança e hierarquia para isso, mas que apesar de tudo isso, ela só cria significado se a cultivamos diariamente, na forma como educamos os filhos, tratamos os funcionários e clientes e administramos a sociedade.

Quem disse que a Sustentabilidade estava tão longe mesmo?

 

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