Como As Organizações Podem Promover o Intraempreendedorismo

17 de julho de 2017
Camila Brüning, Doutora e Mestre pelo programa de Administração da UFPR na linha de pesquisa “Estratégia e Análise organizacional” (2010). Atualmente é professora em nível de pós-graduação junto aos programas de MBA de Gestão de Talentos da UFPR (PPGADM – UFPR), e de mestrado profissional em Governança e Sustentabilidade do Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul – ISAE.

O comportamento intraempreendedor é a forma de agir como empreendedor interno de uma organização, isto é: o comportamento do colaborador voltado à geração, desenvolvimento e implementação de inovações dentro da organização, sendo que esta inovação pode ser relacionada à implementação de melhorias nos processos, estruturas, tecnologia, produtos ou serviços da organização (Pinchot, 2004). O intraempreendedorismo é um comportamento que, nos tempos atuais, passou a ser muito valorizado pelas empresas que atuam em ambientes instáveis e de muita mudança.

A estrutura formal e a cultura organizacional de uma empresa devem ser propícias para abarcar e incentivar ações intraempreendedoras. Para tanto devem ser abertas à inovação e a assunção de riscos, devem permitir liberdade, criatividade e autonomia a seus colaboradores no desempenho de suas tarefas, e devem criar canais de comunicação que permitam que o conhecimento, experiência e inventividade de colaboradores de todos os níveis hierárquicos da organização sejam ouvidos e levados em consideração.

Para que os colaboradores escolham dirigir seus esforços para o intraempreendedorismo é necessário que vejam valor nos resultados que obterão ao agir dessa maneira, assim é fundamental que as lideranças (mecanismos primários) e os sistemas formais de recompensa da organização (mecanismos secundários)  reconheçam e premiem o comportamento intaempreendedor.

Para que o intraempreendedorismo se estabeleça para os colaboradores como um comportamento pelo qual vale a pena se esforçar é necessário que a organização os provenha com liberdade para criar e orçamento para financiar suas inovações.

Pryor e Shays (1993) indicam que para que a empresa tenha um ambiente em que a inovação e o intraempreendedorismo possam existir a organização deve ser capaz de: incentivar e encorajar os colaboradores a desenvolverem e expor suas ideias; permitir e incentivar que as ideais sejam levadas adiante, acompanhando e controlando níveis de risco e custo; garantir o acesso a recursos necessários para a implementação da ação empreendedor; garantir liberdade necessária para a avaliação, prototipagem e testagem do empreendimento ou inovação; aceitar a falha e o erro, compreendendo que são naturais no processo de implementação da mudança que envolve subsequentes tentativas e ajustes; incentivar e investir na qualificação dos colaboradores intraempreendedores, como forma a desenvolver suas capacidades e a gerar maior comprometimento com os objetivos organizacionais.

Dado o ambiente de alta instabilidade que caracteriza a época atual, muitas organizações tem buscado maior flexibilidade e vantagem competitiva por meio da adoção e implementação do intraempreendedorismo, para isso precisam abandonar velhas estruturas e formas de gestão e produção, e adotar novas formas de trabalhar e liderar.

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