A boa liderança segundo Tamara Erikson

21 de agosto de 2017
Rodrigo Casagrande, é Doutor em Administração de Empresas, possui doutorado Sanduíche na Université de Montréal e Mestre em Administração de Empresas pela FURB. Leciona no Mestrado em Governança e Sustentabilidade do ISAE, e, no MBA da FGV Management nas disciplinas de Governança Corporativa e Sustentabilidade Corporativa. Também é sócio-fundador da empresa Armatta Desenvolvimento Humano e Organizacional.

A governança corporativa por si só não leva a lugar algum. Prova disso é o que aconteceu com a JBS e Petrobrás, para ficar em apenas duas empresas de capital aberto que burlaram, com apetite, tudo o que se espera em termos de senso de justiça, transparência, prestação de contas e compliance. Mais importante que a governança, enquanto instrumento de gestão, é a qualidade das pessoas que formam as lideranças da organização.

Tamara Erikson, professora de comportamento organizacional da London Business School, considerada uma das cinquenta mentes mais brilhantes em gestão de pessoas pela HSM Management, considera que o exercício da liderança eficaz tem quatro elementos principais.  O primeiro é a capacidade de reunir a diversidade, sendo que os líderes existem para garantir que haja estímulos ao surgimento de perspectivas múltiplas. Para isso, precisa romper com pretensas ¨verdades absolutas¨, criando uma atmosfera favorável ao surgimento e implementação de novas ideias, certificando-se de que as pessoas estejam continuamente questionando o que fazem e abrindo-se a novas ideias.

O segundo elemento que esse novo líder precisa acionar é a capacidade colaborativa, o que tem a ver com assegurar que as pessoas certas se conheçam e que a organização funcione horizontalmente. Nesse sentido, o líder funciona como o anfitrião de uma grande festa, apresentando e conectando as pessoas certas.  Assim, estimula que as pessoas conversem não apenas com seu chefe, mas com todos os seus colegas dentro da organização e, desta forma, quem sabe pode montar um quebra-cabeças (puzzle) que gera as ideias inovadoras.

O terceiro elemento dessa nova liderança é a importância da geração de significado. A organização precisa comunicar eficazmente o sentido de trabalhar ali. Por isso, o líder precisa deixar claro o porquê das atividades e práticas organizacionais, isso é mais importante do que explicar exatamente o que fazer e como fazer. Somente quando as pessoas têm consciência do significado do seu trabalho é que começam a aportar paixão e entusiasmo naquilo que fazem. E parafraseando Ralph Waldo Emerson: ¨O ótimo somente existe onde há entusiasmo¨.

Para finalizar, o quarto elemento que constitui esse novo líder é a capacidade de fazer boas perguntas. Isso exige uma boa dose de humildade, pois requer habilidade da escuta. O líder não precisa ter todas as respostas sobre os assuntos, longe disso, mas tem que saber fazer as perguntas mais provocadoras sobre os desafios que a empresa enfrenta. São essas perguntas que contribuirão para que as outras pessoas possam ajudar a chegar à solução. Uma pergunta é um ótimo jeito de engajar, pois denota consideração e respeito pelos ativos que as pessoas trazem consigo (conhecimentos, habilidades específicas, atitudes).

Nesse sentido, é possível inferir que grande parte dos fatores que contribuem para os resultados de uma empresa é influenciada por uma liderança boa ou ruim. Quando essa influência aponta na direção errada, ou não aponta nenhuma direção; ou ainda se indica trajetória razoável, mas a uma velocidade inadequada, as consequências podem ser bem impactantes.

 

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