Dólar: O que explica o aumento da taxa de câmbio?

3 de maio de 2018
Mestre em Economia – UNESP/FCL-Ar (2010), Economista – UEM (2003). Foi Professor do Departamento de Economia UNESP/FCL-Ar (2010), Professor de Ensino Superior em diversos cursos/disciplinas. Professor convidado para atuar no curso de Pós-graduação MBA Executivo em Mercados Financeiros e de Capitais (Positivo) e colaborador do Comitê Macroeconômico ISAE. Economista Adeata Consultoria – Análise Econômica (www.adeataconsultoria.com.br).

A taxa de câmbio é um dos principais preços em uma economia e sabe-se que pode ser influenciada tanto por questões internas quanto externas ao país. É importante entender que a taxa de câmbio R$/US$ é o preço do Real em relação ao Dólar americano e que nosso regime cambial não é de câmbio fixo. Nosso objetivo é entender as questões externas que ajudam a explicar o aumento da taxa de câmbio, ou seja, a depreciação (desvalorização) do Real em relação ao Dólar norte americano. Para este caso, é interessante analisar algumas variáveis macroeconômicas da economia dos Estados Unidos (economia americana).

O Produto Interno Bruto (PIB) da economia americana cresce a uma taxa positiva desde 2009, com crescimento de 2,9% em 2017 e previsão de crescimento de 2,7% em 2018. A produção industrial está crescendo, o que contribui para a geração de empregos. A taxa mensal de desemprego está caindo desde outubro de 2009, quando era de 10,0%. Em março de 2018, a taxa de desemprego foi de 4,1% e a expectativa para o final do ano de 2018 é uma taxa de 3,8%. O atual nível de emprego da economia americana, com baixa taxa de desemprego, favorece a demanda por bens e serviços, que por sua vez ajuda a pressionar o nível de preços (inflação). A expectativa de inflação para o final do ano está em 1,9%, muito próximo da meta estabelecida pelo Comitê de Política Monetária – Fomc (equivalente ao Copom no Brasil), que é de 2,0%. Dada as condições do mercado de trabalho e de inflação, o Comitê tem decidido em aumentar a taxa de juros dos títulos públicos federais (títulos do governo americano). Na reunião realizada nos dias 20 e 21 de março, o Comitê aumentou essa taxa para 1,5% a 1,75% e a manteve na reunião realizada agora nos dias 1 e 2 de maio. Sua decisão em manter ou aumentar a taxa de juros depende das condições da economia, principalmente emprego e inflação. Os investidores já têm recebido taxas maiores para os títulos americanos, 2,87% em fevereiro e em torno de 3,0% em abril.

Portanto, o mercado estava ansioso pela decisão do comitê e sua sinalização para a política monetária e isso tem impacto no mercado de câmbio (preço do dólar). Há ainda as questões comerciais e geopolíticas (principalmente em relação ao preço das commodities), elas são muito relevantes e influenciam a taxa de câmbio. Novos indicadores macroeconômicos da economia americana, que serão divulgados em breve, serão fundamentais para auxiliar a definir futuras decisões sobre taxa de juros e a trajetória da taxa de câmbio.

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