Comércio Justo e Solidário e a Difusão da Cultura Brasileira

9 de outubro de 2017

Comércio justo e solidário

Os preceitos do comércio justo e solidário estão presentes, em maior ou menor grau, em diversas partes do mundo. Várias correntes teóricas e ideológicas têm sido utilizadas para dar suporte a práticas comerciais mais justas e equilibradas, em busca de um objetivo maior: reduzir a pobreza pela melhoria da qualidade de vida de populações de países não desenvolvidos.

Apesar da ampla aceitação da economia de mercado e da lógica capitalista, novas formas de produção e geração de valor têm sido desenvolvidas para minimizar as consequências desse sistema. Nesse contexto, termos como cooperativas, economia solidária, economia compartilhada, autogestão, comércio solidário, comércio ético, entre outros, recebem destaque.

Essas ideias estão alinhadas a dois movimentos distintos que se somam. Por um lado, percebemos esforços de empreendedores, produtores, governos e organizações não governamentais, que buscam melhorar a qualidade de vida de populações economicamente menos favorecidas. Do outro, há maior conscientização dos consumidores e o interesse por relações de consumo mais éticas, sustentáveis e com mais conteúdo simbólico.

O que se destaca nessas novas práticas é a tentativa de realizar intercâmbios comerciais em uma relação ganha-ganha entre produtores e consumidores. Esses movimentos vão muito além da relação direta de compra e venda de produtos, mas também no empoderamento dos produtores, por meio de um processo de educação e capacitação técnica, que permite ao mesmo tempo a melhoria das condições econômicas e maior controle do empreendimento e das condições de vida.

Consumo Ético

Diversos temas e propostas têm surgido nas últimas décadas para despertar, orientar e desenvolver novas formas de consumo que considerem, além das questões econômicas, outros fatores relacionados à sustentabilidade social, ambiental e cultural.

Termos como consumo ético, consumo responsável e consumo consciente têm sido usados para expressar novas formas de consumo que incluem na decisão de compra dos consumidores o compromisso ético e a valorização da consciência e responsabilidade quanto aos “impactos sociais e ambientais que suas escolhas e comportamentos podem causar em ecossistemas e outros grupos sociais, na maior parte das vezes geográfica e temporalmente distantes” (CONSUMO…, 2005, p. 19).

Barnett et al. (2005, p. 33) advogam que, ao invés de assumir que a tomada de decisão ética funciona por meio do cálculo racional das obrigações, as relações éticas de consumo são “formas pelas quais as disposições morais práticas são rearticuladas por políticas, campanhas e práticas que alistam as pessoas comuns em projetos mais amplos de desenvolvimento social”. Assim, por essa definição, o consumo ético pode assumir um caráter transformador, bem mais amplo do que uma relação comercial ou transacional.

Percebe-se, assim, que o consumidor está assumindo um papel político de maior relevância. Isso é confirmado por Redfern e Snedker (2002), que afirmam que, a partir do início do século XXI, os consumidores têm apresentado um comportamento mais ativo e usado seu poder de escolha para direcionar as estratégias das empresas. Esses autores propõem uma tipologia que mostra diferentes estratégias utilizadas: a) boicotes à produtos e marcas; b) compras positivas, que envolvem escolhas intencionais de produtos com significados específicos, como produtos orgânicos ou oriundos de comércio ético; 3) compra de produtos de origem rastreada; 4) compras baseadas em relacionamento de longo prazo; 5) consumo sustentável, que envolve uma perspectiva mais crítica do que consumir ou não consumir e sob quais circunstâncias.

Barnett, Cafaro e Newholm (2005) destacam que os consumidores éticos não ignoram o preço e a qualidade dos produtos. Além disso, ou mesmo até antes dessa análise, eles consideram outras questões de caráter simbólico, que inclui valores, em seu processo de tomada de decisão.

Harrison, Newholm e Shaw (2005) apresentam alguns fatores que influenciam o surgimento de comportamento de compra mais ético:
• A globalização dos mercados e o enfraquecimento dos governos nacionais.
• O crescimento de marcas e corporações multinacionais.
• O crescimento de grupos atuantes de pressão.
• Os efeitos sociais e ambientais do avanço tecnológico.
• Mudança no poder de mercado para o consumidor.
• A efetividade de campanhas de marketing.
• O crescimento de um movimento mais amplo de responsabilidade social.

Como bem analisa Schwartz (2010), o consumo ético também precisa ser analisado se de fato representa uma preocupação moral e ética genuína ou simplesmente um movimento superficial e aparente.

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