Ser ou Estar: Eis a Questão!

21 de dezembro de 2017

– Qual o seu cargo?
– Gerente comercial.
– E seu objetivo de 5 anos?
– A área de marketing, mas não conseguirei. Trilhei um caminho no comercial – devo continuar lá, mas me sinto cansado.
– Sempre trabalhou nesta área?
– Não, no passado já fui até analista financeiro.

Assim, a pergunta: Alguém está como gerente comercial? Ou alguém é gerente comercial?
A dúvida consome até mesmo aqueles que parecem ter segurança de seus objetivos.

Vivi experiências incríveis (em muitos sentidos) em várias empresas. Na maioria delas convivi com pessoas que saíram de cargos e foram para outros, numa vertical de sucesso.
Porém, uma característica que sempre chamou minha atenção foi a perenidade nos novos cargos – pelo fator comportamento, em especial.

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Flávia foi promovida na semana passada, eu ainda estava em férias. Quando retornei, ela exibia satisfeita seu novo posto. Cargo novo, mesa nova, cadeira de couro, telefone sem fio!

Ah, aquele era o seu lugar. Sentia-se renovada. Chegou de uma reunião externa e se refestelou em sua cadeira, ali era agora seu novo ninho.

– Parabéns Flávia! – Fui cumprimentar-lhe.
– Ah, obrigada, querida. Nada mais do que óbvio, já era assim esperado.

Seu tom de voz mais firme e confiante já transparecia e evidenciava sua nova personalidade. Pensei comigo: Além dos móveis e roupas novas, vestiu-se de novo comportamento.

Vi muita gente subir no salto, e depois descer dele. É bem fácil olhar por cima quando se está lá, mas será que este comportamento, comum em muitos promovidos, realmente leva ao sucesso no novo cargo?
Em minhas andanças vi que não. Ao contrário, o ser se auto destrói.

Flávia aproveitou seu posto por alguns meses, até que, enfim, conquistara a antipatia de diversos colegas. Levou mais um tempo até que seu superior a abordasse pela primeira vez. E foi então que ela perdeu-se. Já não tinha consistência em suas atitudes. Rompantes de arrogância num mix de tentativas frustradas de parecer carismática.

Logo a empresa percebeu que não seria possível mantê-la no cargo. Dois dias depois de sua saída os colegas receberam um e-mail com seus contatos pessoais e seu currículo. Penso que ao deixar este legado de insucesso, pelo menos ali sua rede de contatos não seria de grande ajuda.
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Por isso o emprego dos verbos ser e estar é bem pontual:
– Estou desempregado!
– Estou um gerente comercial!
– Sou humilde!
– Sou honesto!

Valores pessoais devem reger nossas atitudes. Buscar o trabalho em equipe, onde o sucesso de um é o sucesso do todo será sempre o melhor caminho. Ninguém que atua no mundo corporativo pode evoluir sozinho, dependemos uns dos outros! Somente desta forma uma carreira pode crescer de forma saudável e perene.

Cristiane Ribas – Consultora Estratégica de RH
De Bernt Entschev Human Capital

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